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Roland Emmerich não gosta da gente, isto é um fato. Por ele, já teríamos todos morrido quando aqueles extraterrestres horríveis invadiram nosso planeta em “Independence Day”, ou quando a Terra enlouqueceu em “O Dia Depois de Amanhã”. Isso sem contar o “Godzilla”, o “Soldado Universal”… mas de uma forma ou de outra, ele sempre dá um jeito de fazer com que os americanos salvem a todos nós. Não entendo porque sempre precisa ser o Estados Unidos pagando de salvador da pátria, já que Emmerich é alemão. De qualquer maneira, ele parece detestar a nossa raça – ou pelo menos não está muito animado com o nosso futuro. Por isso resolveu nos destruir mais uma vez, agora usando o famosissimo calendário maia, em seu mais novo filme, o tão aguardado “2012″. E veja você, que lê isso agora… se é daqueles sujeitos que adoram sessão-pipoca, vai adorar, é uma película muito boa, não vai decepcionar.

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Porém, ainda não consigo compreender como é que alguém vai ao cinema ver um filme como esse esperando que haja uma história coerente, convincente e, principalmente, diferente. Todo mundo sabe que filmes-catástrofe são feitos para mostrar o poder dos efeitos visuais, e o que podem fazer conosco. No caso, nada que tenha sido lançado neste ano chega aos pés da competência técnica mostrada aqui. Se o diretor adora acabar com a humanidade, pelo menos o faz com talento: é tudo absurdamente real, os efeitos deixando todo mundo embasbacado e acima de tudo o design de som que faz com que todos entrem naquele desespero mostrado na tela; mesmo que a estrutura dramática me remeta a outro filme do gênero, “Armageddon”. O que acontece é que levam tudo muito a sério, e dá a impressão de que tudo que o cinema produz precisa ser uma obra de arte em todos os sentidos. Ora, “2012″ é impressionante, sim, mas no que diz respeito a roteiro é um horror: brega, cafona, previsível. Não acreditei muito que o mundo pode acabar porque os raios solares vão derreter o centro da Terra. Mas quem se importa? A gente vai ver coisas assim justamente para se enfiar no meio dos destroços. A única diferença entre esse e as outras obras que eu já citei aqui é que esse é o mais triste, o mais desalentador do gênero.

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Não é de deixar maluco quando aparece um ou outro pseudointelectual saindo da sessão reclamando que os personagens não tem profundidade ou que a história é mirabolante e que na verdade eles não queriam estar ali, pois preferiam ver um filme do Godard? Os produtores não criaram tudo isso para ganhar um Oscar de Melhor Filme, mas sim, faturar às custas da gente. E nós, claro, sempre caimos. “2012″ não entrega nada a mais do que se espera dele – muita destruição, dramas pessoais insossos e a cara de desespero de John Cusack. Ao inferno com a mensagem panfletária e americanizada do diretor Emmerich. Tenha certeza, caro leitor, que todos sairão felizes da sala de exibição: você, por ter se desligado por duas horas e pouco de seu mundo e entrado na paranóia profética que acabou de ver, e os produtores que vão ficar muito contentes com o faturamento na bilheteria, que com certeza será bem alta. E enquanto Roland Emmerich não gostar de nós, seremos felizes; mal posso esperar para ver como ele vai nos matar na próxima vez.