John Travolta é icônico. Lá do começo de sua carreira, quando deu aquela vitalidade toda a seu Tony Manero dos embalos de sábado à noite mostrou ter talento, mas ainda precisava ser lapidado, tinha tiques estranhos, e quase não tinha expressão: para tudo tinha a mesma cara. Mas seu carisma pessoal fez o resto, e ele se tornou um super astro. Vieram outros sucessos, e chegou até a interpretar um adolescente em “Grease“. Um adolescente, vejam bem, ele que já tinha passado dos vinte anos já há um bocado de tempo. Nem isso foi suficiente para que alguém levantasse a voz e fizesse alguma reclamação, não havia como, ele carregou o filme nas costas. Entretanto, na década de oitenta ele deve uma queda acentuada, maus papéis e péssimas escolhas o fizeram um ídolo de uma época apenas. E duvidaram de seu talento. Até que Quentin Tarantino veio e salvou sua carreira, fazendo com que sua versatilidade fosse finalmente reconhecida, com “Pulp Fiction”, que lhe deu uma indicação ao Oscar. Entrou para a Cientologia. Virou piloto de avião. Ficou ainda mais rico. E desde então, alterna entre projetos ou muito bons ou muito ruins. Sem meio-termos.

Robin Williams também é icônico. No começo de sua carreira, quando era visto apenas como um comediante escrachado – afinal, todo mundo sabe que ele interpretou Popeye, por Deus! – começou a se destacar em sua área, mostrando que tinha jeito pra coisa. E que era diferente dos demais. Seu estilo era quase subversivo, provocativo e beirando o surto total. Aliado a isso tinha um imenso carisma pessoal que lhe deu o status de astro. E foi tocando sua vida até que lhe deram o papel principal em “Bom Dia, Vietnã”, quando ele recebeu sua primeira indicação ao Oscar. Foi o começo de um estrelato e reconhecimento de seu talento, garantindo-lhe mais duas indicações nos anos seguintes. Mas, de repente, o sucesso pareceu escapar. Seus filmes perderam a graça, mas não era por sua culpa, mas sim os roteiros que ele escolhia para estrelar. Estava condenado a ser apenas uma lembrança perdida em alguma esquina hollywoodiana quando apareceu Gus Van Sant e salvou sua carreira, fazendo com sua veia dramática fosse finalmente reconhecida e ele acabou ganhando o Oscar de Coadjuvante por “Gênio Indomável”. Ganhou status de gênio da comédia. Ficou ainda mais rico. Virou polemista por conta de suas piadas que muitos julgam grosseiras. E desde então alterna entre filmes muito bons ou muito ruins. Sem meio-termos.

E eis que vem Walt Becker, diretor de “Motoqueiros Selvagens” (que tinha Travolta como um dos protagonistas) para juntar essas duas histórias de vida em uma história que de tão non-sense beira o surrealismo. Colocar dois ícones americanos para dividir uma comédia foi algo bem ousado, imagino eu. Mas, ao julgar pelos trailers que foram sendo lançados durante os meses que antecederam a estreia, parecia que ia ser daqueles filmes que marcariam época. Sim, pois pelo trailer o filme se mostra muito mais engraçado do que realmente é. Não que não seja legal: a cena em que Williams literalmente queima em uma máquina de bronzeamento artificial esquecido lá por seu amigo que galanteia a atendente do lugar, e as reações das pessoas ao resultado, é realmente hilário. Mas todos – todos – parecem estar dopados ou sob efeito de LSD; existem excessos, e aquilo que deveria fazer rir causa apenas vergonha alheia, tanto pelos personagens quanto pelos atores. E mesmo contando com coadjuvantes de peso, como Matt Dillon, Justin Long e Kelly Preston, acaba decepcionando, deveria ser muito mais do que uma comediazinha esquecível, daquelas que nos faz rir vez por outra. Uma pena que “Surpresa em Dobro” não surpreenda em nada, e não corresponda a todas as expectativas apesar de não ser tão ruim assim. Mas também não é tão bom. Enfim: chega de traçar paralelos, vou direto ao ponto – agora há um meio-termo, para a carreira dos dois.
Incrível constatar a decadência que estes dois estão! incrível! Este filme, só vejo na TV por assinatura!
Travolta anda sempre a divagar entre bons e maus projectos, no entanto, estes últimos tempos só tem sido maus projectos…
O filme é não engraçado…
Abraço
Cinema as my World
Muito bom o resumo das carreiras desses dois atores que tenho como favoritos. Robin Williams, para mim, continua sensacional. Vale muito a pena conferir a sua contribuição para projetos independentes, como os suspenses “Retratos de Uma Obsessão” e “Segredos na Noite”. Já John Travolta, para mim, está precisando de um Quentin Tarantino para revigorar a sua carreira, pois apesar de estar muito divertido em “Hairspray”, soltando a sua voz inconfundível e aproveitando o seu repertório cômico, tem deixado a desejar. Pena que, no fim das contas, esta comédia em nada contribui, embora esperava por algo pior do que um “não é tão ruim”.
Luiz, estou de volta! rs
E vou ficar longe disso o quanto eu conseguir!
O Travolta tem uma carreira e tanto mesmo. É irônico, eu sei, mas não consigo deixar de recordar a imagem dele em Hairspray, como aquela mãe fofona lá. HAHAHAHA! Teus textos continuam ótimos, Luiz. Abraço.