Cine Retrô: Anaconda

Ó, desse eu tenho uma história muito particular que eu gostaria de dividir aqui com vocês, meus queridos leitores – ou seja, com vocês três – e é engraçada, vejam só: um belo dia de 1998 (se não me engano), eu chamei alguns amigos para assistirem um filme recém-lançado, e que estava fazendo muito sucesso; era “Anaconda“. Comprei refrigerantes e pipoca, para poder servir aos meus convidados, e quando o filme começou eu fui comendo junto conforme as monstruosidades da cobrona assassina desfilavam na tevê, através do video cassete também novinho, Até que num determinado momento eu me senti mal, e acabei vomitando em cima da mesa de centro que havia na sala, bem onde estavam todas as coisas que comprei para aquele dia. Os olhares que recebi de meus amigos, um misto de horror e surpresa que logo virou palhaçada, até hoje me persegue; sempre que algum dos que estavam presentes fala sobre cinema, lembra do caso, o que ainda me causa uma certa vergonha. Reza a lenda dentro do nosso grupo que eu só acabei passando mal por causa do filme. Não foi o caso. Mas bem que poderia ter sido.

O nome do diretor eu lembro bem por ser meu meio-xará: Luis Llosa. E não só por isso, mas também porque tive, por muitos anos, aquele pôster do filme na parede do meu quarto, aquele que é todo preto e só tem os olhos da cobra, e o nome de Llosa aparecia ali, em destaque até. Era um pôster aterrorizante, meus sobrinhos morriam de medo dele quando eram crianças. Era um cartaz bem feito, bonito mesmo. Pena que o filme não o seja tanto, porque imagine você, carissimo leitor, estando no meio da floresta amazônica diante de um bicho enorme desses, que só falta falar! O filme é ruim, uma afronta a inteligência racional, a Amazônia é toda estereótipo a direção parece perdida e conseguiram juntar o maior grupo de atores canastrões dos últimos trinta anos no mínimo. Mas, como tudo no mundo do cinema é diferente e controverso, “Anaconda” se tornou uma coisa que chamam de kitsch – de tão ruim que é, acaba ficando bom. Se a gente descontar o fato de que a peçonhenta do filme só falta bater um papo legal com as suas vítimas, como fazem os vilões que antes de matar explicam o passo-a-passo do seu crime e também o insignificante detalhe de que o roteiro é pior que uma bomba H, é bem possível de achar o filme ótimo. Como eu acho, mesmo tendo tantas lembranças não muito lisonjeiras e também por não saber o que é que deu no Jon Voight, o grande Jon Voight, em aceitar um papel onde ele encarna um personagem malvado com proezas corporais incríveis e com diálogos cafonas e ainda por cima se saber vomitado (?) pela cobra (??), dando uma piscadinha de olho ao sair dela (???). Até aceitaria tipos como Jennifer Lopez ou Ice Cube sendo deglutidos e depois sendo devidamente postos para fora da barriga da anaconda, mas o Voight não.

Só que, apesar de tudo isso, “Anaconda” é bom de se rever. Me atrevo a dizer que, de tão malfadado que é, a gente acaba gostando. Eu mesmo me atrevo a rever, de vez em quando, e morro de rir quando lembro do que aconteceu na época do lançamento, da sessão em casa e tudo. Assim como também dou risada de muitas passagens, diálogos e cenas do filme, mas que não tiram seu poder de diversão, e é esse pensamento que me faz escrever sobre ele numa bela manhã de sábado, quando a visão dos assassinatos que a cobrona comete no filme só poderiam estragar meu dia, se eu fosse mais racional pouquinha coisa. Junto com “Tubarão”, de Spielberg e de “Piranha”, de Joe Dante, este é um exemplar de longa-metragem que abusa da ferocidade da natureza usando animais que, ou são lendas ou têm uma história tão fantasiosa que seria impossível colocar num filme sem que avacalhem. O diretor Llosa teve coragem, pegou o negócio pelos chifres e encarou o desafio. O resultado foi considerado ruim na época, mas vem melhorando com o tempo, acredite. Talvez fosse uma metáfora, que o filme todo é tão clichê e que a gente, que teve que engolir toda aquela patacoada por mais ou menos duas horas, acaba jogando tudo pra fora. É, pode ser isso. Ou eu que estou viajando demais.

8 Respostas para “Cine Retrô: Anaconda”


  1. 2 Alan Raspante 18/04/2010 às 02:40

    Cara quando o filme saiu eu tinha acho que uns 9 anos, e eu me cagava de medo !
    Medo mesmo, de nem dormir a noite kkkkk
    Até hoje num gosto de cobras !
    UHASHAHSHASUHAU
    e apesar de tudo gosto deste filme. É o que vc falou, o filme é ruim tenta ser trash e com isso fico legal !

  2. 3 Jenson 18/04/2010 às 14:53

    Luiz, confesso que nunca gostei de perder tempo! rs!

  3. 4 jeff 20/04/2010 às 01:16

    HAHAHAHA
    morri com a história. que nojento. xD

    e eu adorava Anaconda! assisti há MUITO tempo, claro, mas adorei na época. a “continuação” eu cheguei a ver no cinema. uma merda.

    []s!

  4. 5 Cristiano Contreiras 21/04/2010 às 17:15

    Hahuahauaha! Não deixa de ser nostálgico, poético e seu lado cronista prevalece aqui…

    Deixa eu te dizer: revia esse filme sempre até, meu pai havia feito uma cópia em vhs, ele gostava de ver…e eu me divertia, rs…

    O engraçado, de fato, ainda que o filme seja mesmo uma bomba, a gente consegue ver até o final, rs…e não incomoda nem um pouco, rs.

  5. 6 Alex Gonçalves 22/04/2010 às 12:33

    Luiz, não acredito que você tenha vomitado por assistir “Anaconda”, um filme que acho bacana! #prontofalei

    Inclusive, gosto também da sequência citada pelo Jeff, embora seja uma bobagem ainda maior que esta aventura com Jennifer Lopez. Enfim, um filme que tenho que rever. =P

  6. 7 edward puma junior 07/06/2010 às 16:07

    o filme é bom. e´quase um pouco vedadeiro. e isso ja aconteceu na amazonia no tempos de 1983. as sucuris tinha 12. era killer. e jon tanbem

  7. 8 Antonio joao 17/02/2011 às 07:46

    Na verdade, o que enfeitou o filme foi a beleza da

    Jennifer, com aquele vestido branco, estava muito atraente.


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