Na verdade eu comecei com essa coisa de escrever lá nos meus dois anos e pouco, quando a minha irmã me ensinou o alfabeto sem que eu estivesse matriculado numa escolinha. Mas logo virei um tipo de aberração: o meu vizinho, Seu Araldo – homem de bom coração, doceiro e tocador de tuba na Banda Municipal de Capão Bonito, onde eu nasci no segundo dia do mês de maio de 1986 - me levava para a casa dos amigos dele e me mostrava, dizendo coisas como “Veja como esse menininho é inteligente, Astolfo, ele sabe ler e sabe escrever!” mesmo que eu me esforçasse para parecer um bom orador no peso e responsabilidade dos meus quase três anos, e ainda escrevesse a letra N ao avesso. Coisas de um moleque nascido no interior, tendo a infância mais mansa que alguém pode querer. Em 1992, mudei-me pra Itapetininga, 70 km distante da minha cidade-natal, onde estou até hoje. Cresci, me digivolvi (saudades dos digimons!), e fiz muitas coisas na vida, desde cinegrafista até auxiliar de eletricista, e agora me arrisco escrevendo histórias. Quando vou ganhar dinheiro com isso eu não sei, por isso mesmo a palavra “arriscando” ali no meio da frase. Me formei no ensino médio, mesmo tendo repetido um ano por causa de um professor de física que pegou no meu pé pelo simples e insignificante fato de que eu sou completamente burro pra qualquer tipo de conta. Não sei nem a tabuada de cór. Mas pra escrever até que eu me viro, a prof. Lícia, da área de literatura, disse que eu tenho bom vocabulário… ;-D
